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Lingang na China

Toda quarta-feira durante o semestre de inverno tem palestra na universidade com diversos arquitetos famosos. Essa série de palestras se chama „schwarzbrot“ (pão preto, traduzindo literalmente). É difícil achar um explicação, pq essas palestras ganharam esse título, mas tem a ver com mostrar o lado do dia-a-dia, das dificuldades e da batalha do arquiteto pra conseguir construir da forma como foi planejado.

Ontem foi a vez dos Arq. Meinhard von Gerkan e Werner Sobek (professor na uni) contarem como foi construir o museum marítimo em Lingang na China. Foi um verdadeiro contraste em relação a palestra de terça, onde o Arq. Wilson falou do seu amor pelos detalhes.

Na China, a escala é outra, seja em relação ao tempo, seja em proporção ao ser humano, seja em termos financeiros.

A apresentação começou com um video sobre a cidade de Lingang, também projetada pelo escritório de Gerkan. Olhando o video, tive a impressão de estar vendo o início de um filme de ficção, sei lá, a cidade que superman escolheu pra morar...

Depois ele foi mostrando fotos e projetos de várias obras que eles estão fazendo na china e por fim, mostrou o museum, dando ênfase ao centro do prédio, a cobertura para a exposição principal. Chamar de cobertura chega a ser um equívoco, trata-se de uma estrutura de aço em forma de duas velas de barcos que se encontram em um único ponto. Essa estrutura escultural tem uns 12 metros de altura, é parte revestida por aço, outra por vidro e foi toda desenvolvida pelo escritório de Sobek.

Não dá pra deixar de valorizar o trabalho das pessoas que têm desenvolvido verdadeiros monumentos com tecnologia de ultima geração na China. Mas toda essa tecnologia, essa monumentalidade, não traz necessariamente qualidade.

A arquitetura que tem surgido na China é, com poquíssimas excessões, uma arquitetura bruta, enfeitada com materiais caros. O que mais se fala por aqui, é que mesmo os projetos de estrangeiros que vencem os concursos públicos chineses são executados pela mão de obra local (do detalhamento das plantas ao empilhar dos tijolos). Isso resulta em uma “standartização” da construção e resume a influência do oeste a um mero traço, a uma mera tentativa de fazer alguma coisa diferente.

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